Palmeiras pode decidir o futuro de Fernando Lázaro, como técnico, no Corinthians
Palmeiras pode decidir o futuro de Fernando Lázaro, como técnico, no Corinthians
Na próxima quinta, o rival no Allianz Parque. Campeão mundial, ou não, será irrelevante para Lázaro. Se conseguir derrotar o arqui-inimigo, com o apoio do time, diretoria corintiana pode pensar, a sério, na efetivação
Fernando Lázaro tem o apoio irrestrito dos jogadores. Quatro partidas, quatro vitórias
DANIEL AUGUSTO/CORINTHIANSSão Paulo, Brasil
A situação é interna.
Mas cada vez mais clara. Apesar da busca insistente e frustrada da diretoria no exterior, os jogadores do Corinthians querem a efetivação de Fernando Lázaro como técnico.
As vitórias contra o Ituano e o Mirassol, dois dos melhores times do interior, deste Campeonato Paulista, mostraram. Evolução tática, iniciativa, atitude, personalidade, que o time não tinha nos oito meses com Sylvinho. Com ele, a equipe já havia vencido dois outros jogos, quando substituiu o demitido Vagner Mancini, em 2021.
Mas a direção do Corinthians, como deixou evidente Duilio Monteiro Alves, faz de tudo para ficar bem com as organizadas. E também com a imprensa. Como revelou o presidente, ao detalhar a demissão de Sylvinho, motivada pela pressão dos torcedores e jornalista.
Os líderes do grupo, como Fagner, Renato Augusto, Cássio, Paulinho, Gil, Giuliano e Fábio Santos, querem a permanência de Fernando Lázaro.
Só que Duilio e o diretor e ex-presidente Roberto de Andrade temem o "efeito Cavani", em relação a Lázaro.
Ambos deixaram claro que a primeira opção para assumir o lugar de Sylvinho se chamava Jorge Jesus. Entraram em contato com o treinador que venceu a Libertadores com o Flamengo em 2019. Estavam dispostos a pagar R$ 1,5 milhão para ele e sua comissão técnica. Receberam um polido "agora, não".
Perderam o rumo.
Passaram a autorizar empresários a sondar treinadores. Principalmente portugueses. O sucesso de Abel Ferreira no rival Palmeiras é, sem dúvida, outra inspiração na busca de técnicos lusos.
Paulo Fonseca, mais ofensivo; Vitor Pereira, defensor do jogo posicional, com o time mais fixo; Luís Castro, amante de contragolpes.
Na prática é um absurdo, mas muito comum entre os dirigentes brasileiros. Não levar em consideração a maneira tática como o treinador trabalha em relação ao elenco.
Fernando Lázaro começou a trabalhar no Corinthians como analista de performance. Em 2016, era ele quem passava para Tite os detalhes de cada atleta. Como, onde e quanto tempo eles rendiam o máximo ao time. Depois, foi assistente de Fabio Carile, que ouvia muito sua opinião sobre o desenvolvimento de cada jogador.
Renato Augusto, autor do primeiro gol ontem, é um dos maiores defensores de Fernando Lázaro
RONALDO BARRETO/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO 10.02.22Embarcou na aventura dos 11 jogos de Sylvinho no Lyon. Era seu auxiliar. Quando o ex-lateral voltou como treinador do Corinthians, Lázaro aceitou ser assistente. E fazia o trabalho individualizado, muito próximo dos atletas. Ele sabe muito bem como eles querem jogar, quanto têm de fôlego para fazer uma marcação alta, ou seja, pressionar a saída de bola do adversário.
Embora tenha apenas 40 anos e nunca tenha sido técnico principal, Lázaro ganhou a confiança do time. Ele ouve não só os líderes do elenco, mas os reservas, os garotos da base. E procura adaptar a preferência de cada um deles, onde gostam de jogar, com a maneira que ele entende que rendem mais.
No intervalo das partidas, os atletas também têm espaço para falar, dar suas sugestões. Ou seja, o relacionamento é ótimo.
Fagner, um dos mais fortes líderes corintianos, não se esquivou. Disse que a principal motivação para a vitória de ontem, por 2 a 1, contra o Mirassol, era seguir com Lázaro.
"No futebol, pode acontecer de tudo. Estamos pensando no próximo jogo [Mirassol], se Deus quiser vamos conseguir um bom resultado. Isso dá mais tranquilidade para a diretoria trabalhar, pro Fernando prosseguir."
Depois de um início titubeante no Paulista, com Sylvinho, o Corinthians ganhou paz com o interino. Foram duas vitórias, diante de adversários difíceis, seis pontos na tabela, liderança absoluta no Grupo 1, com dez jogos.
A diretoria segue dizendo estar "analisando o mercado". Mas não há dúvida alguma que está ouvindo com muito mais atenção os jogadores. Duilio e Roberto de Andrade começam a sentir firmeza em Lázaro.
Mas, diante do amadorismo, da falta de planejamento, capaz de desprezar a pré-temporada, quando deixaram Sylvinho ficar semanas com o elenco, para mandá-lo embora três jogos depois do início do Paulista, a permanência ou não de Lázaro pode estar ligada à tabela do Paulista.
Mais especificamente ao resultado da próxima quinta-feira.
O Corinthians jogará no Allianz Parque, contra o maior rival. Será a primeira partida depois de o time de Abel Ferreira decidir o título mundial, amanhã, nos Emirados.
Se o Palmeiras tiver sido campeão, a missão será "carimbar" a faixa, mesmo que entre com reservas. Se o Chelsea tiver ficado com o título, a ordem será deixar o adversário "o pior possível", com outra derrota em casa.
Não será uma partida normal. Terá consequências para Fernando Lázaro, caso a diretoria siga a lógica, e não consiga contratar um novo técnico nestes próximos seis dias.
O filho do ídolo Zé Maria sabe muito bem disso. Que seu futuro poderá mudar na próxima quinta-feira. Por isso, ele trabalhará como nunca nestes seis dias. Empolgado com duas vitórias. Conhecendo intimamente os jogadores, ele os fez marcar sob pressão o Mirassol no primeiro tempo. E, no segundo, os fez recuar, correr menos.
Sabe que tem ótimos jogadores no elenco, mas acima da faixa dos 30 anos, como Renato Augusto, Paulinho, Willian, Giuliano, Fagner, Gil e Fábio Santos, que não jogou ontemMuito inteligente, o interino insiste: trabalha jogo a jogo. É funcionário do Corinthians. E não faz projeção alguma, como, por exemplo, ser treinador na Libertadores.
Ele não assume sua ambição porque também conhece a instável diretoria com a qual trabalha.
Mas, se depender dos jogadores, não virá nenhum novo treinador.
O técnico que o Corinthians precisa, na visão deles, já está no clube.
E se chama Fernando Lázaro.
Pelo bem, ou pelo mal, Duilio e Roberto de Andrade querem esperar a próxima quinta-feira.
Jogos contra o Palmeiras sempre pesaram no destino corintiano.
Desta vez, tudo indica que não será diferente...

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