Terreno complexo e chuva dificultam captura de presos, diz Lewandowski - CORREIO CONTINENTAL

URGENTE

Terreno complexo e chuva dificultam captura de presos, diz Lewandowski


Página inicialBRASILTerreno complexo e chuva dificultam captura de presos, diz Lewandowski
Terreno complexo e chuva dificultam captura de presos, diz Lewandowski
Fevereiro 19, 2024

Policiais acreditam que foragidos estĂŁo em raio de 15km da prisĂŁo

Porto Velho, RO - Apesar do emprego de cerca de 500 agentes de segurança e equipamentos modernos, não há prazo para a captura dos dois presos que fugiram da Penitenciária Federal de Mossoró (RN), disse neste domingo (18) o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, diante da complexidade do terreno e das chuvas, que apagam rastros.

O ministro destacou que a regiĂŁo possui amplas áreas de mata e inclusive cavernas, o que prejudica o uso de detectores de calor, por exemplo. “Soube agora e vi pelas fotos aĂ©reas que Ă© uma regiĂŁo que tem grutas, em que as pessoas podem eventualmente se esconder”.

Ele reforçou as indicações das autoridades policiais: "o terreno Ă© difĂ­cil, as condições sĂŁo desfavoráveis, teve uma enxurrada torrencial, que apagou rastros, portanto a questĂŁo de prazo e dias Ă© algo que nĂŁo podemos precisar”.

Lewandowski acrescentou que, pelas investigações, as autoridades acreditam que os fugitivos ainda se encontram num raio de 15 quilômetros a partir da penitenciária.

Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento foram os primeiros detentos a escapar de um presídio federal, considerado de segurança máxima. O sistema foi criado em 2006. A dupla fugiu na última quarta-feira (14).

Lewandowski frisou que aumentou o efetivo de agentes em busca pelos foragidos, de 300 para cerca de 500, divididos em dois turnos.

Barra de ferro

O ministro confirmou ainda que as investigações indicam que, para escapar da cela, foi utilizada uma barra de ferro extraĂ­da de uma das paredes, o que aponta para má conservação das instalações. “Essa Ă© a primeira informação que nĂłs temos”.

Outro ponto das investigações comentado por Lewandowski foi a existĂŞncia de “uma construção mal administrada no presĂ­dio”. Segundo informações preliminares das investigações, uma ferramenta encontrada nessa obra teria sido utilizada pelos fugitivos para cortar o alambrado que cerca a penitenciária.

O ministro novamente prometeu a construção de uma muralha em Mossoró, similar à que já existe na penitenciária federal da Papuda, no Distrito Federal. Ele disse que todas as unidades federais receberão o equipamento.

Falhas

Lewandowski admitiu ter havidos falhas, mas garantiu que todas foram corrigidas, em MossorĂł (RN) e eventualmente nos outros quatro presĂ­dios federais pelo paĂ­s. “NĂŁo vamos deixar nenhum defeito, nenhuma falha de procedimento ou nenhum problema de equipamento para trás. Como nĂłs sempre tivemos presĂ­dios muito seguros, daqui pra frente serĂŁo ainda mais seguros”, disse o ministro.

Ele reconheceu ainda defeitos de projeto na edificação em MossorĂł, que resultaram por exemplo na facilidade de remoção de uma luminária de parede, o que teria permitido a fuga. Tais fragilidades “sĂŁo antigas, porque os presĂ­dios foram construĂ­dos de 2006 em diante”, ponderou.

“Essas falhas estruturais podem existir em alguns lugares. Aqui em MossorĂł foram corrigidas imediatamente e estamos examinando se essas falhas estruturais se repetem em outros presĂ­dios”, acrescentou Lewandowski.

Investigações

O ministro também evitou dar prazo para conclusão das investigações sobre o caso. Uma delas, de caráter administrativo, liderada pela Secretaria Nacional de Políticas Penitenciárias (Senappen), apura as responsabilidades da fuga e pode levar a processos administrativos.

Também há um inquérito no âmbito da Polícia Federal para apurar eventuais responsabilidades de natureza criminal das pessoas que, eventualmente, tenham facilitado a fuga dos dois detentos da penitenciária.

Lewandowski, contudo, disse nĂŁo ser possĂ­vel falar em “conivĂŞncia” na fuga, antes das investigações serem encerradas. “Em nosso regime democrático vigora a presunção de inocĂŞncia. Portanto, enquanto as investigações nĂŁo terminarem, seja a que está sendo conduzida no âmbito administrativo como no âmbito policial, nĂłs nĂŁo podemos afirmar que houve conivĂŞncia de quem quer que seja”, afirmou.

Mais cedo, em coletiva à imprensa na Etiópia, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, cogitou que presos tiveram apoio na fuga da penitenciária de segurança máxima. ""Queremos saber como esses cidadãos cavaram um buraco e ninguém viu. Não quero acusar, mas teoricamente parece que houve a conivência de alguém do sistema lá dentro", disse Lula.

O ministro da Justiça lembrou que o prazo legal para a conclusão do inquérito policial é de 30 dias, mas que pode ser prorrogado em caso de necessidade, o que costuma ocorrer sempre que há necessidade de produção de laudos periciais.

RelatĂłrios

Em resposta a perguntas sobre relatórios que teriam alertado o MJSP desde 2021 a respeito de falhas no sistema de monitoramento da penitenciária em Mossoró, Lewandowski disse que tais informações não chegaram a seu conhecimento a tempo de as correções necessárias serem feitas antes da fuga. O ministro assumiu o cargo há 18 dias.

“Na minha gestĂŁo nenhuma informação oficial veio, ao menos a tempo e com relação a esse presidio em MossorĂł. Se tivesse vindo, teria sido corrigido, obviamente”, afirmou.

Fonte: AG/BR



Tags
BRASIL

Nenhum comentário