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Congresso argentino aprova definitivamente o pacote de reformas de Milei


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Congresso argentino aprova definitivamente o pacote de reformas de Milei
Junho 28, 2024

O pacote alcançou sua aprovação definitiva após um tortuoso trâmite que o devolveu à Câmara dos Deputados como instância revisora das mudanças

Porto Velho, RO - O Congresso da Argentina concedeu na madrugada desta sexta-feira 28 a primeira vitória legislativa ao presidente ultraliberal Javier Milei, ao aprovar seu pacote de reforma econômica, embora reduzido em relação à versão original, após muitas mudanças durante meses de debate.

“O gabinete da PresidĂŞncia da RepĂşblica Argentina comemora a aprovação da Lei de Bases e Pontos de Partida para a Liberdade dos Argentinos”, publicou em sua conta oficial no X.

A Câmara dos Deputados começou a analisar ao meio-dia de quinta-feira (mesmo horário em BrasĂ­lia) as modificações que o Senado na chamada “Lei Bases” e a aprovou por 148 votos a 107 com as alterações.

Com essa lei, Milei obterá poderes legislativos delegados por um ano, incentivos para grandes investimentos por 30 anos, uma flexibilização da legislação trabalhista e autorização para privatizar diversas empresas públicas, entre outros pontos.

“Vamos dar ao governo do presidente Milei as ferramentas para que possa reformar o Estado de uma vez por todas”, afirmou o chefe do bloco governista, Gabriel Bornoroni, em seu discurso de encerramento.

O pacote alcançou sua aprovação definitiva após um tortuoso trâmite que o devolveu à Câmara dos Deputados como instância revisora das mudanças.

“O governo nacional obteve a aprovação da primeira lei para o paĂ­s livre e prĂłspero que os argentinos elegeram”, diz o comunicado presidencial.

‘Sucesso’

No campo polĂ­tico, a aprovação “significa um sucesso total para o governo”, disse Ă  AFP o cientista polĂ­tico e economista Pablo Tigani.

Mas, economicamente, “será um retorno Ă  polĂ­tica dos anos 1990 com desregulamentações, privatizações e abertura incondicional da economia que provocará um duro golpe na indĂşstria e nas pequenas e mĂ©dias empresas nacionais, com uma transferĂŞncia de renda fenomenal para os setores mais concentrados da economia”, avaliou.

“Este Ă© um traje feito sob medida para os setores de poder concentrados na Argentina”, disse em seu discurso o deputado peronista Hugo Yasky, que considerou que a lei permite que o capital estrangeiro “venha e fique com o petrĂłleo e o lĂ­tio em troca de nada” e transformará o paĂ­s em um “paraĂ­so fiscal”.

Nesse sentido, Tigani alertou que “as leis nĂŁo significam muito quando a situação econĂ´mica e social Ă© explosiva” para um presidente com “problemas de governabilidade” e que está “em xeque na situação social”.

A Argentina, com sua economia em recessão e uma inflação anual de 280% em maio, sofreu um colapso de 5,1% no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano e tem mais de metade da sua população na pobreza.

O cenário também representa novos desafios políticos, segundo o analista Carlos Germano, da consultoria Germano y Asociados.

“Conseguir [aprovar] a primeira lei Ă© de extrema importância polĂ­tica, mas o governo tem agora um novo desafio porque a oposição vai começar a gerar outra polĂ­tica totalmente diferente daquela destes seis meses”, afirmou.

Isso obrigará Milei “a priorizar a gestĂŁo, ser muito mais presidente e parar de promover o personagem que lhe permitiu chegar atĂ© aqui”, completou.

O deputado Oscar Agost Carreño, integrante de um bloco de oposição que apoiou a iniciativa oficial, afirmou no debate: “Vamos dar as ferramentas ao governo porque acreditamos que ele tem que resolver o que nĂŁo conseguiu atĂ© hoje. Agora as desculpas acabaram.”

Uma lei negociada

Originalmente, a “Lei Bases”, que Milei lançou como sustentação de seu plano de governo, continha mais de 600 artigos com reformas de liberalização e desregulação da economia, mas, apĂłs o fracasso em fevereiro, o projeto foi reduzido a 238 artigos que tambĂ©m foram modificados no Senado.

Para conseguir a aprovação, o governo retirou da lista de empresas a serem privatizadas a companhia aérea Aerolíneas Argentinas, o Correo Argentino e a Radio y Televisión Argentina (RTA) que controla a TV Pública e a Radio Nacional.

O governo também sacrificou uma reforma do sistema previdenciário que envolveu a eliminação de uma moratória que beneficia aqueles que, ao atingirem a idade de aposentadoria, não conseguem comprovar 30 anos de contribuição em um país onde quase metade dos trabalhadores atua no mercado informal.

O entorno do Congresso foi cercado para evitar protestos e incidentes, como os ocorridos durante o debate no Senado há duas semanas. Porém, desta vez não houve grandes manifestações em frente ao local.

O Executivo deve promulgar a lei para que ela entre em vigor, mas também pode vetá-la total ou parcialmente.

Fonte: NotĂ­cias ao Minuto
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