Empresas apostam na bioeconomia como modelo de desenvolvimento
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Empresas apostam na bioeconomia como modelo de desenvolvimento
Junho 17, 2024

Na AmazĂ´nia, a bioeconomia vem se consolidando
Porto Velho, RO - Gerar produtos e serviços que sejam aliados Ă conservação e regeneração da biodiversidade Ă© o princĂpio da bioeconomia, um modelo econĂ´mico que ganha cada vez mais espaço nos debates sobre soluções para promoção do desenvolvimento que seja ao mesmo tempo social, econĂ´mico e ambiental.
No estado do Pará, o incĂ´modo com um problema causado pela cultura alimentar da regiĂŁo fez com que a empresária Ingrid Teles tivesse uma ideia para solucionar o grande volume de sementes de descartadas diariamente pelos comĂ©rcios na produção da polpa de açaĂ. Em 2017, ela iniciou uma pesquisa, que, em 2022, resultou na criação de uma empresa de cosmĂ©ticos.
“Foi olhando esse volume de resĂduos que eu comecei a buscar uma solução que pudesse ser um modelo de negĂłcio, mas que tambĂ©m contribuĂsse socialmente. AĂ, eu cheguei a produção dos sabonetes de açaĂ com o aproveitamento das sementes e em uma estrutura de bioeconomia circular”, observa Ingrid.
AçaĂ
Para se ter uma ideia, apenas 26,5% do açaĂ sĂŁo comestĂveis, o restante tem fibra e semente, consideradas resĂduo na cadeia da alimentação. Soma-se a isso, o fato de o Pará ser o maior produtor nacional de açaĂ, responsável por 93,87% da produção brasileira. SĂł em 2023, a colheita registrou 1,6 milhĂŁo de toneladas do fruto, apontou a pesquisa Produção AgrĂcola Municipal (PAM) de 2023, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e EstatĂstica (IBGE).
Como fruto nativo da regiĂŁo, o cacau tem o conhecimento sobre seu manejo e beneficiamento enraizado nas comunidades tradicionais da regiĂŁo.
Assim como o açaĂ, o cacau Ă© abundante no solo de várzea, o que tambĂ©m o torna um produto forte para um modelo de bioeconomia na AmazĂ´nia.
Essa tradição foi determinante no surgimento de uma empresa que beneficia o cacau para produtos usados em terapias de saúde e cerimônias, liderada só por mulheres.
Uma das sĂłcias, Noanny Maia, disse que, em 2020, reuniu a mĂŁe e duas irmĂŁs em uma empreitada para retomar um negĂłcio deixado pelo pai e a herança de quatro gerações de produção de cacau, no municĂpio de Mocajuba, no interior do Pará.
“Quando chegamos Ă regiĂŁo nos deparamos com uma realidade de degradação ambiental que impactava as famĂlias produtoras de cacau de uma forma impressionante, com muita pobreza e principalmente mulheres em situação de vulnerabilidade e atĂ© de violĂŞncia. NĂŁo era mais aquela abundância da Ă©poca do meu avĂ´”, recorda.
Movidas pela vontade de melhorar a qualidade de vida das famĂlias vizinhas e impactar de forma positiva a cadeia do cacau, elas criaram uma empresa que absorve atualmente a produção cacaueira de 15 famĂlias e beneficia a amĂŞndoa em barras de cacau 100%, nibs (amĂŞndoa menos processada) e granola, alĂ©m de produzir geleia, velas e escalda-pĂ©s. “A gente aproveita o máximo que a gente pode na verticalização do cacau”, afirmou a empresária.
Além de ser uma boa fonte de energia, o açaà é rico em antioxidantes
Fortalecimento
Os dois empreendimentos se enquadram na EstratĂ©gia Nacional de Bioeconomia lançada por decreto presidencial no inĂcio deste mĂŞs de junho, o que demonstra o interesse do governo brasileiro em fortalecer polĂticas pĂşblicas que favoreçam esse sistema econĂ´mico. O assunto tambĂ©m Ă© tema de uma iniciativa proposta durante a condução do G20 pelo Brasil. O G20 Ă© um grupo formado pelos ministros de finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo, mais a UniĂŁo Africana e UniĂŁo Europeia. Foi criado em 1999.
Na Amazônia, a bioeconomia vem se consolidando muito antes de governos e organismos internacionais debaterem o assunto. Segundo o diretor-superintendente do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) do Pará, Rubens Magno, o uso dos recursos naturais associado à preservação da floresta é uma prática antiga entre os povos tradicionais da Amazônia.
“Esses povos ancestrais fazem isso há muitos anos, mas muitas vezes nĂŁo percebem que possuem esse conhecimento e tambĂ©m nĂŁo percebem o valor da AmazĂ´nia e o valor que as pessoas de fora dĂŁo para a floresta”, destacou.
Mercado
Com projeções de um mercado que pode atingir US$ 8,1 bilhões ao ano, até 2050, somente na Amazônia, a bioeconomia cresce principalmente entre os micros e pequenos empreendedores. Segundo Magno, isso é resultado de um trabalho de fortalecimento desse cenário com o estabelecimento de um polo de bioeconomia do Sebrae na cidade de Santarém, responsável por tirar muitos desses empreendedores da informalidade.
Nesse polo, a instituição lançou, na quinta-feira (13), uma rede para integrar todos os atores da bioeconomia - pesquisadores, instituições governamentais, investidores e empreendedores.
“NĂłs estamos colocando diversos atores para dialogar e expor os seus conhecimentos de forma transversal, para fortalecer todos os entes envolvidos e, dessa forma, fazer com que as startups cresçam, que os investidores participem e os governos de todas as esferas enxerguem essa potĂŞncia local”, explicou.
Para Magno, o objetivo atĂ© a 30ÂŞ ConferĂŞncia do Clima da Organização das Nações Unidas (COP30), que será realizada em novembro de 2025, em BelĂ©m, Ă© que a bioeconomia na regiĂŁo possa traduzir um sistema econĂ´mico fortalecido pelo desenvolvimento social que agrege valor aos recursos naturais, mantendo a floresta preservada. “Queremos mostrar a potĂŞncia da floresta para o mundo, tendo a bioeconomia como nossa fortaleza”, finalizou.
Fonte: AG/BR
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Economia

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