TST mantém condenação das Lojas Havan por assédio eleitoral - CORREIO CONTINENTAL

URGENTE

TST mantém condenação das Lojas Havan por assédio eleitoral


Página inicialNacionalTST mantém condenação das Lojas Havan por assédio eleitoral
TST mantém condenação das Lojas Havan por assédio eleitoral
Junho 04, 2024

Rede comandada pelo empresário bolsonarista obrigava o uso de camisetas com as cores e slogans do ex-capitão; lives com ameaças de demissão em massa também pesaram na decisão

Porto Velho, RO - A 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou um recurso protocolado pelas Lojas Havan, comandada pelo empresário bolsonarista Luciano Hang, contra o pagamento de indenização a um funcionário por assédio eleitoral.

Conforme o relato do trabalhador, a empresa obrigava funcionários a usarem uma camiseta com as cores e o slogan de campanha de Jair Bolsonaro (PL), então candidato à Presidência da República.

Durante o período da campanha eleitoral, uma das gerentes das lojas teria, também, transmitido trechos de vídeos em que o dono da empresa ameaçava de demissão os funcionários que não votassem em seu candidato.

A empresa foi condenada em primeira instância a indenizar o trabalhador.

Segundo o juiz responsável pelo caso, ainda que não seja possível desprender ameaças de demissão, as atitudes de Hang serviam para constranger os trabalhadores da Havan.

A conclusão foi de que houve abuso do poder diretivo, ainda que indiretamente. Com isso, a empresa foi condenada a pagar 8 mil reais de indenização ao funcionário autor do processo.

Na decisão original, o Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região argumentou que esse modo velado de incitação ao voto é ‘antijurídico’ e ‘fere o Estado Democrático de Direito’, além de representar ‘um verdadeiro acinte à integridade moral do cidadão brasileiro’.

Já em grau de recurso do TST, o ministro Alberto Balazeiro, relator do caso, apontou que o abuso do poder econômico no âmbito eleitoral atinge toda a estrutura democrática.

“As práticas de coronelismo não serão toleradas em nenhum nível pelas instituições democráticas do Estado Brasileiro”, afirmou Belazeiro.

Para ele, o assédio eleitoral nas relações de trabalho é uma das tentativas de captura do voto pelo empregador, que busca ‘impor-lhe suas preferências e convicções políticas’.

“Representa violência moral e psíquica à integridade do trabalhador e ao livre exercício de sua cidadania”, reforçou o ministro.

A empresa condenada alega que as acusações são “absurdas” e que Hang “jamais escondeu suas ideologias partidárias, mas jamais obrigou qualquer funcionário a se posicionar a seu favor”.

O uniforme verde amarelo, por sua vez, seria “um incentivo para melhorar o Brasil”, sem relação com a campanha presidencial da época. Ainda de acordo com a defesa, as “lives” do proprietário ocorriam de maneira aleatória e os empregados não eram obrigados a acompanhar.

Fonte: Carta Capital
Tags
Nacional

Nenhum comentário